Criações de animais humanizadas são realmente possíveis?

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Criações de animais humanizadas são realmente possíveis?

“Sustentável”, “humano”, “feliz” são termos frequentemente usados para designar determinadas fazendas de criações de animais com o objetivo de mostrar que, ao contrário da grande maioria, esses lugares são livres de crueldade.

Mesmo parecendo contraditório a ideia de que animais tidos como produtos para suprir o mercado de massa, seja para indústria alimentícia, seja para a indústria da moda, possam receber tratamento humano, não é difícil encontrar consumidores e marcas abraçando essa ideia.

Mas a falha desse sistema não demora a aparecer e a crueldade desses lugares de produção de animais, tidos como “livres de crueldade”, estão vindo à tona com cada vez mais frequência. Em agosto, foi a vez das fazendas de lã sustentáveis na Argentina, onde um membro do PETA se infiltrou como funcionário e filmou as ovelhas sendo submetidas à extrema violência.

As revelações chocaram as marcas conscientes que usavam esses produtos, entre elas Stella McCartney e Patagonia. McCartney deu uma declaração afirmando estar em busca de alternativas livres de animais também para a lã, enquanto a diretora da Patagonia afirmou não acreditar não existir meios de produzir produtos de origem animal sem crueldade.

Talvez realmente não exista. Prova disso pode ser mais duas investigações reveladas pouco tempo depois desse escândalo da “lã sustentável”: os crocodilos criados para serem transformados em bolsas com valor de 5 dígitos da casa francesa Hermès, e as criações “humanizadas” de angorá.

No caso dos crocodilos, as filmagens mostraram as condições degradantes e os maltratos aos quais esses animais são expostos, mesmo para suprir uma demanda relativamente pequena (ao comparado com o mercado de massa) do mercado de luxo. Mesmo para a produção de um produto caríssimo, artesanal e “exclusivo”, não foi possível controlar a fazenda e manter o bem estar dos animais. O escândalo foi tão grande que a celebridade Jane Birkin, cujo nome é designativo de uma das bolsas mais emblemáticas da Hermès, chegou a pedir a desvinculação da sua imagem com o produto da marca.

Já o debate sobre a lã de angorá é contínuo. A primeira vez que as crueldades em fazendas de angorá foram expostas, grandes varejistas como H&M, Inditex (grupo da Zara), Calvin Klein, Tommy Hilfiger e Forever 21 se comprometeram a abolir o angorá de sua produção. Algumas outras, como o grupo Urban Outfitters, responsável pela marca gypsy Free People, foram em busca de fazendas “humanizadas” para suprir sua demanda. Não precisa ter bola de cristal para saber que essas fazendas “humanizadas” logo foram desmascaradas como qualquer outra fazenda de animais.

Angorá

A essa altura, com três grandes escândalos em um espaço curto de três meses, é possível perceber a impossibilidade de suprir o mercado de massa e a demanda por produtos de origem animal de maneira minimamente aceitável. Por mais que algumas marcas e pessoas insistam, se essas grandes empresas não conseguem nem garantir o bem estar humano na sua linha de produção, é difícil acreditar que elas conseguirão garantir o bem estar dos animais.

 

 

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