Cowspiracy: Você não pode ser um ambientalista e consumir produtos de origem animal

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Cowspiracy: Você não pode ser um ambientalista e consumir produtos de origem animal

-Na semana passada, o documentário Cowspiracy estreou no Netflix e ganhou grande repercussão na internet. Em parte, essa repercussão toda se deu pelo fato do Leonardo DiCaprio ser um dos produtores executivos do documentário. E em parte, pelo longa abordar uma questão (crucial) sobre a qual ninguém tinha falado sobre antes: por que ambientalistas e grandes organizações mundiais (como o Greenpeace) não tocam no assunto da agropecuária se ela é a mais destruidora e poluidora quando comparada a todas as outras atividades (moda, transporte, combustíveis fósseis, etc)?

Enquanto assistia ao documentário, anotava todos os números e comparações sobre poluição do solo, das águas, do ar, destruição das florestas e extinção de espécies geradas pela indústria de alimentos de origem animal versus todo o resto.  Mas a verdade é que não faria muito sentido eu colocar tudo isso aqui para vocês, é realmente importante assistir o filme (que, a propósito, é bem tranquilo de ver), afinal, as falas confusas e contraditórias de alguns dos envolvidos são uma atração à parte. Em suma, como Howard Lyman, ex-fazendeiro e ativista, falou com toda a clareza em sua entrevista aos diretores Kip Andersen e Keegan Kuhn: “Você não pode ser um ambientalista e consumir produtos de origem animal. Ponto.”CowspiracyComo o próprio diretor Kip Andersen chegou à conclusão, não adianta trocar seu carro pela bicicleta, reciclar o lixo, comprar roupas de brechó ao invés de roupas novas, abrir mão de sacolinhas plásticas, e fazer doações para o Greenpeace ou para o Salve O Boto Rosa se você continua consumindo produtos de origem animal. Nós já falamos aqui sobre como o veganismo é totalmente vinculado à compaixão animal, mas também é sobre a saúde e o meio ambiente. Nós não vamos conseguir um mundo melhor se continuarmos criando e matando 55 bilhões de animais por ano. Não há espaço para melhora nesse sistema de consumo.

Além disso, o documentário chega a conclusão sobre a impossibilidade de se produzir alimentos de origem animal de maneira sustentável. Fazendeiros experientes no assunto, e controladores de fazendas sustentáveis, explicam porque, conforme a população do mundo só aumenta, a saída serão proteínas de origem vegetal ao  invés da atual demanda por produtos de origem animal.    

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Mas e se você for um ativista social, não tão ligado em causas ambientais? Bem, você deveria pensar sobre o veganismo também. Cerca de 50% de todos os grãos e cereais do mundo são cultivados para alimentar animais, ao invés de pessoas. Além do mais, na maioria dos países pobres, grande parte da terra é destinada à plantação desses cereais que alimentam animais para o abate, posteriormente consumidos apenas por uma parcela da população local mais abastada.  Basicamente, não são os transgênicos os verdadeiros capazes de acabar com a fome mundial, e sim uma alimentação herbívora.

De um jeito ou de outro, é importante refletir sobre o tema e o que Cowspiracy tem de mais interessante (e até mesmo chocante) é essa conversa interseccional com o ativismo ambiental e social. A indústria agropecuária é gigante, poderosa e funciona como um rolo compressor que passa por cima, sem dó, do bem estar sócio-ambiental, reservando para si proporções astronômicas e mais destruidoras do que qualquer outra indústria.  Citando Darren Aronofsky, diretor de Noé e Cisne Negro, “um documentário que abalará e inspirará o movimento ambiental.”

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-  Infográfico: Rosana Silva

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