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Couro e desmatamento: uma relação bem próxima

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Couro e desmatamento: uma relação bem próxima

Você sabe que somos uma marca vegana, então entende nosso posicionamento em relação ao couro, né? Não achamos correto sacrificar um animal - seja de vaca, cabra, cobra, crocodilo ou qualquer outro - para usar a sua pele para qualquer fim, muito menos estético. 


Muita gente argumenta em relação ao couro dizendo que “pelo menos a vaca não morreu em vão porque foi completamente aproveitada”. Além de discordarmos dessa lógica, porque em primeiro lugar a vaca nem deveria ter morrido, a verdade é que o couro não é apenas um subproduto “inocente” da indústria da carne. 


Quando falamos especificamente em vacas, o couro vem de animais criados para produzir carne, mas também da indústria do leite (quando deixam de ser lucrativas por não produzirem mais leite suficiente) e de bezerros recém-nascidos ou retirados prematuramente do útero por terem um couro macio e considerado nobre. Você acha isso certo?


É errado também pensar que os pecuaristas em geral aproveitam todas as partes dos animais para evitar o desperdício. O couro vale aproximadamente 10% do valor total de uma vaca, sendo muito valioso e representando mais receita e mais lucro. Em 2020, a indústria do couro correspondeu a 18% da receita total dos frigoríficos.

 

A produção do couro é altamente poluente


Além do veganismo, um dos nossos pilares é o ecológico, ou seja, nos preocupamos também com questões de impacto ambiental e consciência coletiva. Mais uma vez, o couro e toda a sua cadeia estão contra os nossos princípios. 


A pegada ecológica do couro é imensa. A fabricação do material consome muita água, sendo uma das indústrias mais sedentas. São gastos aproximadamente 17093 litros de água para produzir 1 quilo de couro. 


Fora isso, ainda tem o processo do curtimento, que é a pior parte em termos ambientais. Para que o couro não se decomponha (afinal é a pele de um animal!) são aplicados produtos específicos que interrompem essa degradação natural e deixam o material com textura e maleabilidade ideais para o uso. 


Os produtos químicos usados nos curtumes são altamente tóxicos e poluentes. O descarte dos efluentes acontece sem o menor cuidado em grande parte dos casos, e isso significa água contaminada indo parar em cursos d’água e no solo. 


O cromo e o arsênico são os principais materiais usados nesse processo, ambos cancerígenos. Além do dano ao ecossistema, os trabalhadores dos curtumes também têm suas vidas impactadas. Casos de câncer por exposição aos produtos tóxicos infelizmente são muito comuns.


A criação de animais em si já tem sua pegada bastante conhecida. Só que essa pegada está quase sempre associada à produção de carne, mas não podemos esquecer que o couro faz parte, além de ser uma parte lucrativa, dessa história.

Na última metade do século, 70% da floresta Amazônica foi desmatada para dar lugar a pastagens ou ao cultivo de rações, segundo o PETA. Como a gente já falou bastante aqui, a Amazônia está virando pasto. 

Curtume de couro bovino Tannery do Brasil sob responsabilidade da JBS Couros multado em 2015 por inúmeras irregularidades. Uma das mais graves foi o lançamento de efluentes no Rio Paraguai, em Cáceres, a 224 km de Cuiabá

A cadeia do couro é intimamente ligada ao desmatamento


E daí vem o problema do desmatamento. Provavelmente você ficou sabendo sobre a investigação conduzida pela Stand Earth, que relacionou mais de 150 marcas de moda com o desmatamento da floresta, né?  


A pecuária não só é um dos grandes responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) no país, como é também o principal motivo de desmatamento na Amazônia.


Em 2020, o bioma perdeu a maior área dos últimos 12 anos de acordo com o Inpe: foram 11.088 km² desmatados, e a criação de gado é o principal fator. Mais de 90% do desmatamento é ilegal e dá lugar a pastos, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).


Um estudo do World Resources Institute descobriu que entre 2001 e 2015 a pecuária foi responsável pela perda de 36% da cobertura vegetal em todo o mundo. Um total de 21,8 milhões de hectares, ou 45% dessa área, foi no Brasil.  


Talvez você tenha ficado sabendo também sobre o relatório da Rainforest Foundation Norway, que divulgou que assentos de carros da Volkswagen, BMW, Daimler, grupo PSA e Renault podem estar sendo produzidos com couro proveniente de gado criado em áreas de desmatamento ilegal no Brasil.


Mais uma vez estão aí os mesmos personagens: pecuária, couro, desmatamento. E mais uma pesquisa indicando o quão difícil é rastrear as etapas dessa cadeia, já que a "lavagem de gado" é uma prática conhecida que consiste na transferência de animais de fazendas ilegais para outras que são autorizadas a fazer a venda final, entre outros métodos de burlar a fiscalização.


Essa e outras práticas clandestinas são conhecidas e “todo mundo sabe” que isso acontece. Mesmo assim, as empresas que compram gado da Amazônia têm feito pouco para evitar isso.


Então, mais uma vez, vale lembrar do poder do consumidor. Você acha certo usar a pele de um animal que foi morto, sendo que hoje existem outras alternativas? Você quer mesmo arriscar financiar o desmatamento da Amazônia? 

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