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Cânhamo: a fibra do futuro

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Cânhamo: a fibra do futuro

Sim, você não se enganou: vamos falar do cânhamo, planta do mesmo gênero da Cannabis sativa (também conhecida como maconha). Apesar de ser do mesmo gênero, é de outra espécie. A Cannabis ruderalis tem apenas 0,3% da substância psicoativa da maconha, o THC, e tem propriedades bem diferentes, sendo considerada a “maconha industrial”. 

Comparada ao algodão, a cultura do cânhamo ganha, e de longe. É uma produção muito mais sustentável, com benefícios para todos os envolvidos. É uma matéria-prima sustentável, renovável, biodegradável e reciclável, além de ser mais barata e muito mais rentável para o produtor. 

Em termos de fibra têxtil, o cânhamo permite produzir muito mais do que algodão ou linho, usando a mesma quantidade de terra, e é mais longa e resistente do que as duas.  

Apesar de estar em alta nos debates atualmente, não é como se o cânhamo fosse uma novidade recém descoberta. Dizem que em 8.000 a.C já eram feitas roupas, cordas e outros artigos têxteis com a planta, e arqueólogos encontraram objetos de cerâmica feitos a partir do cânhamo datados de 10 mil anos a.C. 

Infelizmente, a planta caiu em desuso por ser associada à maconha, sendo então coberta de tabus, tendo seu cultivo proibido e perdendo espaço para as fibras sintéticas como o poliéster, mais barato e com um marketing muito mais forte. 

Nos últimos anos, depois da flexibilização da legislação em países como China e Estados Unidos, a planta voltou a ser usada em larga escala na indústria têxtil, alimentícia, de beleza, de remédios e até de wellness. 

Uma planta ecológica desde o plantio

O plantio de cânhamo industrial é considerado uma cultura regenerativa, porque a planta tem capacidade de crescer e se desenvolver usando pouca água, além de ser muito resistente a pragas - ou seja, usa nada ou quase nada de pesticidas. 

Também é uma plantinha pouco exigente. Cresce rapidamente (leva de 90 a 100 dias para ser cultivada da semente à colheita) em vários tipos de solo e clima. Estima-se que 80% dos solos férteis no Brasil podem ser usados para o seu plantio, por exemplo!

As raízes do cânhamo são profundas, e com isso ajudam a manter o solo úmido e evitam a erosão. Quando cultivada, a planta ajuda a sequestrar o carbono da atmosfera. Cada tonelada de cânhamo produzida equivale à remoção de 1,63 tonelada de carbono do ar. Melhor ainda: os produtos feitos no material mantêm esse carbono “preso”, evitando que voltem para a atmosfera. 

Tecidos melhores

Antes de mais nada, vale contar que as cordas e as velas dos navios usados pelos colonizadores das américas eram feitas de cânhamo. A primeira bandeira dos Estados Unidos também foi feita usando o material. Ou seja, a resistência dessa fibra é indiscutível!

Quando vira tecido, essa plantinha tem uma longa lista de atributos positivos: é naturalmente resistente aos raios ultravioleta que causam o câncer de pele, muito resistente ao sol, não desbotando ou se desgastando, cinco vezes mais resistente do que o algodão em termos de usabilidade, tem longa durabilidade, absorve melhor o tingimento, demandando menos tinta e menos processos, não retém umidade, inibe o desenvolvimento de micro-organismos e é hipoalergênica.  

Um negócio bom pra todo mundo 

O cânhamo tem alto teor de canabidiol, o CBD, substância com grande potencial medicinal e terapêutico reconhecido. Alguns remédios feitos a partir da substância já são legalizados para autismo severo e a epilepsia. Quando falamos em uso medicinal da maconha estamos falando, na verdade, do CBD. 

O óleo de cânhamo pode ser convertido em biocombustível, cuja queima é menos poluente em relação aos combustíveis fósseis. Além da produção de biodiesel com sementes e caule da planta, a parte fibrosa pode ser usada para fazer versões quimicamente semelhantes às da gasolina convencional.

As sementes do cânhamo ainda são uma resposta interessante para a nutrição. Elas são consideradas um superalimento, sendo fonte de proteínas completas de origem vegetal. Essas super sementes contém 21 aminoácidos, 9 dos quais o corpo humano não consegue produzir. O óleo de cânhamo fornece todos os aminoácidos essenciais.

Precisamos de educação para acabar com o tabu

A liberação da produção no Brasil ainda gera discussão, pois esbarra em tabus, como a associação com a maconha. A legislação brasileira tem uma única exceção: o uso medicinal dos derivados de cânhamo. 

Atualmente, há um Projeto de Lei (399/ 2015) em tramitação na Câmara que prevê a legalização do plantio de cannabis para fins medicinais e industriais. A eventual aprovação daria espaço para empresas solicitarem ao governo o plantio de cânhamo para fabricação de cosméticos e têxteis, mas sabemos que essas coisas levam tempo. 

Por enquanto, é preciso investir na educação e na disseminação de conhecimento. O cânhamo é uma planta sensacional que pode trazer inúmeros benefícios às pessoas e ao Planeta!

Referências: 

https://vocesa.abril.com.br/mercado/cosmeticos-a-base-de-cannabis-um-mercado-a-todo-vapor/ 

https://www.citizenwolf.com/blogs/news/why-hemp-is-the-most-sustainable-fabric

https://sinditextilsp.org.br/home/2021/10/primeiro-jeans-de-canhamo-do-brasil-e-lancado-pela-vicunha/ 

https://vogue.globo.com/Apresenta/noticia/2021/10/cannabis-revoluciona-setor-da-moda-com-processos-mais-sustentaveis.html

https://ffw.uol.com.br/noticias/business/marketing-da-maconha-marcas-que-usam-canhamo-estao-de-olho-nos-prs-de-moda/ 

https://istoe.com.br/moda-canabica/ 

https://fcem.com.br/noticias/canhamo-conquista-moda/ 

https://envolverde.com.br/como-o-canhamo-pode-contribuir-para-um-planeta-mais-sustentavel/ 

https://veja.abril.com.br/blog/cannabiz/canhamo-pode-revolucionar-a-industria-textil/ 

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