Fechar ícone

Bebidas veganas: como planejar seu fim de ano

Seta Fina Esquerda ícone Seta Fina Direita ícone
Bebidas veganas: como planejar seu fim de ano

O seu brinde de fim de ano vai ser com espumante vegano? Por mais que as opções de bebida sem uso de ingredientes de origem animal tenham se multiplicado nos últimos tempos, muitas marcas ainda trabalham com esse sistema e é importante saber o que estamos bebendo.


Se você não sabia disso, te contamos: no processo produtivo de algumas bebidas, é comum o uso de ingredientes de origem animal como agentes de colagem, que são substâncias que ajudam a filtrar impurezas.


Os ingredientes em questão não são adicionados às bebidas (aqui falando especificamente de cerveja, vinhos e espumantes), mas eles participam do processo. Se você é vegane, já é motivo suficiente para não querer consumir essa bebida, já que proteínas de origem animal participam da produção. 


Nos vinhos, a clarificação é um procedimento de purificação da bebida, onde um agente filtrante é adicionado. Esse agente é geralmente uma proteína que faz matérias sólidas irem para o fundo, sendo facilmente eliminadas antes do engarrafamento. Essas substâncias de clarificação podem ser tanto de origem mineral quanto animal.


A albumina, proteína da clara do ovo, é uma das mais utilizadas para partículas suspensas na bebida e dando um aspecto límpido e brilhante. Outros elementos utilizados são: gelatina (proteína animal), caseína (proteína do leite), chitina (fibra a partir de conchas de crustáceos), óleo de peixe e cola de peixe (Isinglass ou ictiocola é obtida das bexigas natatórias de peixes).


O uso dessas substâncias, também chamadas de floculantes, também ocorre na produção cervejeira. Elas são usadas para filtrar as leveduras e tornar a bebida cristalina. Felizmente,sabemos que essa tecnologia coadjuvante é pouco usada no Brasil. Até onde se sabe, a maioria das cervejas nacionais não usa isinglass nem outros produtos de origem animal, mas muitas (e muitas!) pertencem a empresas que patrocinam rodeios, vaquejadas e outros eventos desse tipo, e é importante ficar de olho nisso. 


As melhores opções são as cervejarias menores e as produções artesanais. Que aliás, são ainda mais saborosas e com um leque de opções gigante. Comprar dessas marcas tem tudo a ver com aquilo que apoiamos: consumir do pequeno, valorizar a produção local e dar força pra quem quer fazer diferente e nadar contra a maré. 


Como saber qual vinho comprar?


Bom, você está no supermercado e precisa fazer uma escolha entre vinhos e espumantes, mas a maioria deles não comunica se é ou não vegano. Uma ideia é ler o rótulo e o contra-rótulo para tentar encontrar mais informações. Os vinhos orgânicos costumam ter os componentes da produção na embalagem.


Procure por expressões como “não filtrado“, “não afinado” e “métodos de autoclarificação natural”. Elas significam que nenhum agente clarificador foi utilizado na elaboração da bebida. 


Mas fora isso, você também pode procurar por vinhos especificamente veganos (hoje existem vários!) ou optar pelos naturais. 


Natural, orgânico ou biodinâmico?


Os vinhos naturais prezam pela mínima intervenção do homem e o mínimo uso de compostos na produção. A bebida fermenta naturalmente, sem utilização de leveduras externas. Além disso, os vinhos naturais usam uvas orgânicas, que já é outro diferencial. 


Esses vinhos são produzidos a partir do sumo da uva, sem a remoção ou adição de absolutamente nenhum elemento durante todo o processo. E também não passam por colagem nem filtragem, sendo assim, liberados para o consumo de veganos.  


Nos vinhos orgânicos, o destaque é para a produção das uvas. Na prática, não é a bebida em si que é orgânica, e sim sua forma de cultivo. Não há adição de defensivos agrícolas, pesticidas ou herbicidas, e há certificações para conferir se o manejo da terra e toda a produção é de fato baseada nos preceitos da agricultura orgânica. 


Aqui, apesar disso, é possível que a bebida passe por processos de filtragem, então é importante pesquisar antes de comprar, entrar em contato com a marca, ou conferir no rótulo se há algo referente a isso.  


Já os vinhos biodinâmicos são fruto de uma produção muito mais cuidadosa, que envolve questões maiores do que o manejo da terra e dos ingredientes. Os produtores seguem a filosofia antroposófica, proposta em 1924 por Rudolf Steiner, que fala da autossuficiência da produção, assegurando a saúde aos vinhedos através de um solo saudável, fertilizado naturalmente pelos seus próprios ciclos.


É proibido o uso de adubos químicos sintéticos, e são aplicados preparados biodinâmicos, homeopáticos e chás de plantas para aumentar a resistência das vinhas. Outra característica dos vinhos biodinâmicos é o respeito ao calendário lunar. Cada fase da lua é importante para a elaboração da bebida. 


Em resumo, vinhos biodinâmicos e orgânicos podem passar por processos de filtragem utilizando ingredientes de origem animal. Para comprar de olhos fechados, só os naturais mesmo. Mas fora isso, sempre indicamos que você entre em contato com o produtor, pesquise no site e leia o rótulo para saber mais. 


Uma coisa é certa: cada vez mais os métodos que usam proteína animal na filtragem de bebidas em geral vêm sendo considerados antiquados. Novas opções estão surgindo, a produção está se modernizado, e os veganos têm muito a comemorar.

 

Tim-tim!

 

Deixe um comentário