As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

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As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

Eu estava vendo este vídeo do Catraca Livre e fiquei preocupada. Me parece que o tema “assédio” ainda não é levado com a seriedade com que deveria. Os caras que aparecem na matéria, que procura saber se as pessoas estão ligadas nas diferenças entre paquera e assédio são os mesmos caras que convivem comigo e com você no trabalho, nos barzinhos, nas faculdades. São homens adultos, que viveram sob as mesmas regras sociais que as mulheres, que já devem ter sido bombardeados em seus perfis de redes sociais por campanhas e vídeos sobre assédio. Alguma noção eles deveriam ter.

Mas ao que tudo indica, ainda há um caminho longo a ser percorrido. Para o mês de fevereiro, naturalmente meu primeiro insight foi escrever um texto que explicasse o que é assédio e ajudasse as pessoas a identificarem essas situações. Entretanto, muitos veículos e personalidades já estão fazendo isso, como no vídeo em que a Jout Jout LITEREALMENTE desenha quando a gente pode entender que determinadas situações simplesmente não estão ok. “Ah, mas e se ela estiver fazendo charminho...?” NÃO. “Mas será que ela disse não querendo dizer sim?” NÃO. “Olha, mas tem aquelas que usam roupas REALMENTE curtas, aí fica difícil, né” NÃO.

Não só tem um significado: não. Visto que tem tanta gente falando sobre isso, por que ainda encontramos homens que tentam um certo malabarismo retórico para justificar assédio? Eu não acho a resposta fácil. Dizer que vivemos em uma cultura que naturaliza o assédio é chover no molhado, porque isso já sabemos. O que eu quero trazer hoje é uma reflexão que perdure pelo ano todo, e não apenas na época da folia. O carnaval é a festa mais popular do nosso país, ele une gente de todos os cantos, e é justamente por isso que ele acaba espelhando em uma semana o que acontece todos os outros dias do ano. Acaba sendo um bom espelho onde vemos nossa sociedade ser desenhada na base da violência.

O que me deixa mais feliz é ver que, mesmo com a insistência de homens que buscam todas as formas para deslegitimar as negativas das mulheres, é também no Carnaval que nós entendemos conceitos importantes como sororidade e empoderamento. Mulheres estão atentas e unidas contra o assédio, e esse felizmente é um caminho sem volta. Mas, o alerta dado aqui, precisa seguir ao longo do ano inteiro. Respeita as mina durante o carnaval e durante o ano todo.  

- *Na foto em destaque as minas do bloco Pagu, que tem a bateria formada só por mulheres e é um dos tantos blocos feministas que tem surgido nos últimos carnavais. Esse movimento de transformar a festa em um ambiente seguro para mulheres curtirem sem medo só cresce, ainda bem!

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