ANTIRRACISMO: O QUE PODEMOS FAZER NA PRÁTICA

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ANTIRRACISMO: O QUE PODEMOS FAZER NA PRÁTICA

Finalmente o combate ao racismo vem ganhando espaço no Brasil e em todo mundo. O movimento Vidas Negras Importam, que mobilizou muita gente nas redes sociais e fora delas nos últimos dias, tem nos mostrado como é importante tomar atitudes hoje para poder desenhar um amanhã mais justo. Falamos sobre isso aqui, inclusive.

Aí é que tá. Falar é até fácil, mas não resolve. Colocar a mão na massa e efetivamente participar e promover ações e atitudes inclusivas devem estar na pauta individual e coletiva, o que envolve assumir que o preconceito está impregnado em hábitos e culturas que vão bem além da discriminação escancarada, né?

Talvez o primeiro passo seja aceitar que o racismo passa por toda a nossa sociedade, está em cada um de nós. Em expressões que a gente usa, em pequenas atitudes diárias que nem percebemos. Com isso em mente, buscar verdades envolvidas, através de autores negros e com quem vive a realidade na pele, pode ser um caminho para entender o papel de cada um de nós nisso. Não parece, mas é trabalho, é ruptura.

Existem autores contemporâneos muito legais que podem ajudar nisso, como a americana Angela Davis e a brasileira Djamila Ribeiro, ambas filósofas. Elas são bem didáticas em mostrar como chegamos até aqui, e mesmo algumas saídas. Segundo a Djamila, por exemplo, depois de percebido o privilégio branco, é hora de usá-lo pra virar o jogo: utilizar essa posição para dar mais espaço a pessoas negras, por exemplo.

Em uma entrevista à BBC, ela explicou: “Na educação, se a gente é educador, tem que questionar a nossa bibliografia. Será que na nossa bibliografia tem autores e autoras negros e negras? Se nós elaboramos o mundo, por que nossas elaborações de mundo não estão presentes nessas bibliografias? Se é empregador, está empregando pessoas negras, criando de fato programas com metas de diversidade para que pessoas negras tenham acesso?” Ela aborda mais sobre isso no livro Pequeno Manual Antirracista. Ações já aconteceram neste sentido, algumas inclusive com bastante repercussão.

Nessa matéria linda do TAB Uol, a jornalista Mirella Nascimento lembra do episódio de uma novela ambientada na Bahia, estado com o maior percentual de população negra do Brasil (76,3%), que recebeu críticas por causa do baixo número de atores negros em seu elenco, o que chegou a render à emissora uma notificação do MPT (Ministério Público do Trabalho).

Por aqui, tentamos ao máximo fazer a nossa parte:

* Temos como prioridade a inclusão de modelos pretos no casting dos ensaios; 

Aproveitamos oportunidades para trabalhar com parceiros diversos, como as afroempreendedoras do Afromascaras (spoiler!);  

Atualmente, 37,5% da nossa equipe se identifica como negra;

* Priorizamos a contratação de negros em atividades terceirizadas como redaçãofotografia, produção de vídeos;

Além disso, tivemos uma parceria linda com a Gabriela Moura em 2017, que rendeu uma coluna aqui no blog com textos que são mais atuais do que nunca. E já tivemos alguns bate-papos na loja de Pinheiros pra debater esse tema;

* Nossa última campanha de dia das mulheres falou sobre interseccionalidade.

Mas sabemos que ainda temos muito a melhorar. Nossa liderança, por exemplo, ainda é 100% branca.

No coletivo, queremos ver mais pessoas mobilizadas e fazendo sua parte na luta antirracista, em vez de relativizar. Dando voz para quem precisa ser ouvido. Usando seu privilégio para que isso ocorra.

Algumas ações muito legais já começam a florescer. A campanha Pretos no Enem, por exemplo, ajuda a custear a taxa de inscrição de estudantes que não poderiam fazer o exame de outro jeito. O Movimento Amplia faz a mesma coisa. Durante as manifestações dos últimos dias, diversos advogados se propuseram a dar consultoria jurídica a quem fosse preso injustamente pela polícia (sabemos que, na maioria das vezes, isso acontece com homens negros). Falando na Gabriela Moura, ela escreve no coletivo Blogueiras Negras, que está precisando de assinaturas para se manter no ar. Tem gente doando quantias a movimentos ligados à causa, e tem perfis com muitos seguidores abrindo suas contas nas redes sociais pra que artistas e pensadores negros possam ter mais visibilidade. São muitas as possibilidades. O importante mesmo é não ficar só no discurso.

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