Afinal, o que é ESG na prática?

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Afinal, o que é ESG na prática?

Essas três letras, ESG, compõem a sigla do momento. Para quem acompanha notícias sobre sustentabilidade e/ou investimentos está ainda mais na cara. Mas afinal de contas, isso é informação relevante só para as empresas e o mercado de investidores ou também é válido para o público consumidor?

A popularidade da sigla nada mais é do que um reflexo do momento. A sociedade e sim, o público geral, vem valorizando cada vez mais os negócios que tenham preocupações para além do lucro e o crescimento. Respeito ao meio ambiente, às pessoas e uma gestão transparente são algumas das exigências que os millennials e a geração Z priorizam quando o assunto é consumo.

Puxados pelas exigências dos consumidores, os negócios começaram a responder e várias pesquisas já comprovam que os que têm  boas práticas ambientais, sociais e de governança são mais estáveis e podem trazer mais lucratividade no longo prazo, além de serem mais resilientes contra riscos associados a clima e sustentabilidade. E daí acontece o que? Os investidores começaram a olhar para esses critérios na hora de decidir onde colocar sua grana, porque perceberam que todo mundo sai ganhando. 

O ESG é usado como um termômetro que os fundos de investimento usam para analisar e classificar empresas de acordo com critérios específicos, e, dessa forma, direcionar aportes (ou seja, dinheiro). Hoje em dia já existem fundos e investidores que só investem em negócios que adotam e comprovam boas práticas, pra você ter ideia. 


O significado do ESG

A sigla ESG significa Environmental, Social and Governance, ou, em português, “ambiental, social e governança”. Cada palavra é um critério que permite medir os impactos ambientais e sociais das práticas de uma empresa. 

Na prática, o ESG é uma forma de avaliar quanto um negócio se dedica a buscar maneiras de minimizar seus impactos no meio ambiente (ou trazer impactos positivos), construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas em seu entorno e ainda manter os melhores processos internos na administração da empresa. 

A sigla está super em alta recentemente, mas essas preocupações não são novidade. O termo Socially Responsible Investing (SRI ou, em português, investimento sustentável responsável) apareceu na década de 1970, época em que os fundos começaram a considerar critérios sociais na hora de decidir quais empresas deveriam receber investimentos. 

Na década de 1980 começaram também a considerar as questões ecológicas, e empresas responsáveis por catástrofes ambientais eram evitadas. Um famoso exemplo é o Desastre de Bhopal na Índia, no qual toneladas de gases tóxicos vazaram de fábricas de pesticidas. Um exemplo mais atual seria a catástrofe do rompimento da barragem da Vale em Mariana.

Os primeiros índices socialmente responsáveis surgiram depois da década de 1990. Um deles é o MSCI KLD 400 Social Index, que tem o foco em reduzir investimentos em empresas de armas, cigarro e álcool. Tem também o Dow Jones Sustainability Index, que avalia as empresas com os critérios ESG - mas na época que surgiu ainda não usava esse nome. 

A sigla só surgiu oficialmente em 2005, em um relatório da ONU chamado “Who Cares Wins” (“ganha quem se importa”). Esse relatório foi a iniciativa de 20 instituições financeiras de 9 países, incluindo do Brasil, que se reuniram para desenvolver diretrizes e recomendações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão de investimentos. 


E, de Environmental (para nós, seria A de Ambiental)

Nesse critério são avaliados todos os fatores relacionados à responsabilidade ambiental da empresa. Vai depender muito do tipo da empresa, do porte e do tipo de negócio, porque cada atividade tem um impacto diferente. Alguns dos exemplos mais comuns nesse quesito são o uso de recursos naturais, tratamento e destinação de resíduos, o posicionamento da empresa em relação às mudanças climáticas, ações para melhorar e preservar a biodiversidade, logística reversa, uso de insumos orgânicos, certificações ambientais, ações para evitar poluição do ar e da água, emissões de carbono, uso de embalagens recicláveis ou redução das embalagens descartáveis, etc.


S, de Social

O critério social diz respeito às pessoas que fazem parte da empresa e da comunidade em seu entorno. É muito comum grandes instalações ou fábricas terem uma relação mais próxima com os moradores da região, por exemplo.

Aqui também é levado em consideração a empresa ter uma equipe diversa, respeito à legislação trabalhista, relação com fornecedores, plano de previdência para os funcionários, benefícios e vantagens oferecidos aos funcionários além do salário, posicionamento sobre questões de direitos humanos, salários justos, programas de treinamento, qualificação e desenvolvimento dos colaboradores, incentivo à diversidade, a inclusão e prevenção ao assédio sexual, projetos sociais com a comunidade local, etc.


G, de Governança 

A governança avaliada pelo ESG é a corporativa, claro, e é a maneira como a empresa é administrada por gestores e diretores. Nesse caso, se busca entender se a gestão executiva e o conselho administrativo atendem aos interesses de funcionários a acionistas, passando também pelos clientes. Aqui são avaliados auditorias, remuneração de seus executivos e questões fiscais, éticas e de transparência financeira e contábil, relatórios financeiros completos e honestos, equidade e diversidade nos conselhos, integridade e práticas anticorrupção, gestão de riscos, conduta corporativa, existência de um canal de denúncias, entre outros. 

Quem manja de mercado de investimentos já deve conhecer muito bem a prática das empresas de emitir títulos de dívida. No caso do ESG, é possível emitir Títulos Temáticos ESG, que têm como objetivo atrair capital para projetos de impacto positivo.

Esses títulos se dividem de acordo com os propósitos e são alinhados dois dos critérios ESG: Títulos Verdes (Green Bonds): investimentos relacionados à energia renovável; prevenção e controle de poluição; conservação da biodiversidade etc. Títulos Sociais (Social Bonds): direcionados a projetos de geração de empregos, segurança alimentar, infraestrutura básica etc. Títulos de Sustentabilidade (Sustainability Bonds): investimento em projetos socioambientais, combinando as ações “green” e “social”.


Como saber se as empresas são de fato comprometidas?

O ESG também é útil para quem não é do mercado financeiro e apenas quer ter certeza de que está consumindo e apoiando negócios comprometidos com boas práticas.  Esses critérios têm grande impacto em como uma empresa é vista, independente de seus resultados financeiros, não só pelo pelo mercado, mas também pelo consumidor. 

Para uma boa classificação ESG, fundos e empresas devem colocar questões ambientais e responsabilidade social como parte de seus objetivos de negócio. Mas mais importante, é preciso que isso seja comprovado! 

Infelizmente, o greenwashing é uma realidade e tem muita empresa vendendo ser mais responsável do que é na prática. Falar que é a empresa que menos polui, ou a que emite menos carbono, a que tem a produção mais responsável, o quadro de colaboradores mais diverso, etc., são alguns exemplos que devem despertar nossa atenção: quando o exagero é grande, pode ser exatamente isso: exagero.

Por conta disso, foi criado na Europa o SFDR (Sustainable Finance Disclosure Regulation) ou Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis. Essa regulamentação cuida da transparência dos dados que são divulgados sobre as práticas de ESG das empresas e de seus investimentos. 

O objetivo principal é impedir o greenwashing, de forma que notícias falsas ou exageradas não cheguem ao mercado. Os gestores das empresas devem detalhar quais as métricas usadas para mensurar as práticas sustentáveis, a fim de evitar também distorção nos dados. 

Os relatórios de ESG servem para informar os potenciais investidores, mas são também uma maneira de promover a transparência das empresas em relação ao consumidor. As informações são divulgadas em relatórios, informes, notícias ou mesmo postagens nas redes sociais - o que importa é que sejam embasados e bem explicados, não deixando dúvidas. 

Além de acompanhar os relatórios, outra maneira do consumidor saber se uma empresa é ou não engajada é ficar de olho nos selos e certificações. Nem todos são obrigatórios, e só o fato de uma empresa procurar ter certa certificação já indica um interesse em investir em determinada área. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), hoje existem aproximadamente 400 selos com apelo sustentável no mundo, mas é importante observar se as marcas estão divulgando corretamente selos que existem, e não coisas inventadas - porque sim, isso acontece!

É comum encontrar símbolos que parecem selos, mas na verdade são criados pela própria empresa e que passam uma imagem equivocada de certificação. Afirmações vagas como “ecológico”, “sustentável” ou “responsável” também são sinais de alerta. É a hora de se perguntar: de que forma esse produto é sustentável? Não adianta um fabricante declarar que seu produto tem 70% economia de água se ele não entregar provas concretas de tais afirmações, ou é simples e puro greenwashing


O que fazemos por aqui? 

A Insecta é uma empresa que já nasceu com essas preocupações guiando todas as ações, e por aqui o ESG é uma realidade. Para começar, somos uma empresa B, e no Brasil, fomos a primeira empresa calçadista a conseguir esta certificação e a segunda de moda, em 2016.

Nossos materiais trazem sempre algum atributo sustentável: tecidos reaproveitados, roupas de brechó que são transformadas em sapatos, garrafas PET recicladas que se transformam em tecidos - cuja estamparia é feita com tintas à base de água, sem químicos nocivos na composição.

Trabalhamos com uma cadeia produtiva justa e transparente. Todos os envolvidos, desde os fornecedores até o pessoal das fábricas, são bem remunerados e têm seus direitos trabalhistas respeitados. Não nos associamos a empresas que não prezam por essas boas práticas!

Valorizamos muito a transparência, e quem nos acompanha faz tempo já deve saber disso muito bem! Abrimos os custos da produção dos nossos calçados, mostramos quem faz nossos produtos e explicamos cada etapa da produção. Se tem alguma dúvida, a gente explica sem nenhum problema. 

E também temos nosso relatório anual de impacto socioambiental, que conta tudo isso em detalhes. Nele mostramos nossas práticas de governança, quem são as pessoas da equipe do escritório e também dividimos com vocês nossas metas para melhorar ainda mais. 

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Opssss

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