A Poluição Começa Em Carros E Termina Em Pizza

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A Poluição Começa Em Carros E Termina Em Pizza
Quando pensamos em poluição do ar em grandes centros urbanos, o que nos costuma vir à mente é a enorme frota de veículos e a queima de combustíveis fósseis por carros, ônibus e caminhões. É verdade que esse é um problema crítico das metrópoles, e uma das mais graves e importantes fontes de poluição, mas as interferências na qualidade do ar têm múltiplas procedências. Um estudo recente feito por pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em colaboração com pesquisadores da University of Surrey, na Inglaterra, da North Carolina State University, dos Estados Unidos, e das Universidades Federal de Minas Gerais (UFMG) e Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) ressaltou os impactos da queima de lenha e carvão proveniente de pizzarias e churrascarias na qualidade do ar na cidade de São Paulo. "Há mais de 7,5 hectares de Floresta de eucalipto para serem queimados a cada mês por pizzarias e churrascarias”, afirma o doutor Prashant Kumar, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Surrey, Reino Unido, líder da equipe. Para ele, os efeitos da queima de lenha e carvão devem ser uma preocupação real quando se pensa em qualidade do ar. “Um total de mais de 307.000 toneladas de madeira é queimada anualmente em pizzarias”, completa Prashant Kumar. Estima-se que São Paulo conta com 11 mil pizzarias, ficando em segundo lugar no ranking das cidades que mais consomem pizzas no mundo, perdendo apenas para Nova Iorque.  São produzidas cerca de 1 milhão de pizzas por dia e 80% do total em fornos à lenha. Há ainda outros problemas correlacionados à poluição por queima de lenha e carvão. O primeiro deles é o fato dessas fontes poluidoras serem subestimadas. Enquanto os impactos dos combustíveis à gasolina e diesel são bem compreendidos, os problemas provenientes das partículas de fumaça dessas outras queimas são pouco conhecidos, estudados e quantificados. Outro ponto de atenção é que a maior parte das emissões ocorre no começo da noite, quando as condições atmosféricas estão mais estáveis e as partículas dispersam menos, causando assim um efeito ainda pior. O mesmo acontece durante os meses frios, quando as temperaturas também ficam menos favoráveis à dispersão de poluentes. As alternativas, que já vêm sendo adotadas em outros países, é a proibição de fornos à lenha. Em Nova Deli, na Índia, aparelhos elétricos e a gás estão substituindo fornos à lenha em restaurantes que atendem mais que 10 pessoas. Em São Paulo, alguns estabelecimentos já não usam forno à lenha e conseguem igualmente agradar os clientes. Na Itália, o assunto já foi bastante debatido e San Vitaliano, nos arredores de Nápoles, suspendeu temporariamente o uso dos fornos à lenha. Porém, Maria de Fátima Andrade, professora da Universidade de São Paulo, alerta ainda para outra fonte de poluição, as queimadas. “As importantes contribuições de partículas obtidas com a queima de madeira e da queima sazonal de canaviais precisam ser contabilizadas em estudos futuros, pois são contribuintes significativos como poluentes”, afirma.  

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