6 Tecidos EcoFriendly Que Gostaríamos Que Se Tornassem Mais Populares

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6 Tecidos EcoFriendly Que Gostaríamos Que Se Tornassem Mais Populares
Quando pensamos em moda pensamos em tendência, mas parece que cada vez mais a moda se distancia da inovação. Pense por exemplo nas matérias-primas usadas para confecção de roupas e acessórios. Uma das fibras mais populares, o algodão, já está em circulação desde o final da Era Glacial. O poliéster, a fibra mais vendida em forma de roupas atualmente, também já completa meia década de existência. Mas o fato de não vermos muitas inovações e tecnologia na moda não significa necessariamente que ela não exista e nem estamos falando aqui das pesquisas voltadas para área de esporte e performance. Estamos falando de diversos materiais que aparecem como alternativas, muitas vezes melhores, às fibras tradicionais, de olho em sustentabilidade e qualidade. É fato que muitas dessas novidades não só precisam de tempo para ganhar mercado como também muitas são criações de laboratório que têm dificuldade em escalonar. Entretanto, há alternativas que já poderiam ser emplacadas na produção global de itens de moda que enfrentam muitas barreiras por desafiarem os mercados já estabelecidos das fibras tradicionais. Aqui listamos alguns materiais que gostaríamos de ver entrando com cada vez mais força no grande mercado de moda brasileiro.  
  1. Ultrasuede®
O Ultrasuede é um tipo de camurça, porém de base sintética e não animal produzida pela japonesa Toray. Também conhecido como “ecosuede”, é uma ultramicrofibra produzida a partir de poliéster reciclado usando muita tecnologia e é uma alternativa aos materiais sintéticos tradicionais, como o poliuretano. Em 1970 essa tecnologia foi inventada usando poliéster virgem, mas desde 2010 a empresa começou a incorporar a matéria-prima reciclada. Atualmente, a Toray pesquisa uma produção de Ultrasuede que seja 100% de “poliéster à base de plantas”, ou seja, totalmente biodegradável e de fontes renováveis. Esse material é também uma alternativa possível ao couro, que tem complicações éticas e ambientais do começo ao fim da produção, e já vem sendo incorporado em diversas marcas no exterior, inclusive grandes marcas como Puma.  
  1. Cocona™
É um tecido misto feito a partir dos resíduos da casca do couro. Como a fibra em si, coir, não é muito flexível e não pode ser tingida, para se obter o Cocona é necessário misturar com outras fibras, no caso aqui o poliéster reciclado.  A cada 1000 cocos é possível extrair 10kg de Coir. O coir é também um substituto para a borracha sintética, assim como o látex. O coco é produzido em 93 países e ocupa mais de 10 milhões de hectares de terra em todos os trópicos, é um produto múltiplo e faz parte das fibras do futuro, da ONU.  
  1. Pinãtex™
Talvez um dos materiais mais populares mesmo antes de chegar ao mercado, o Pinãtex é produzido a partir das folhas do abacaxi. Como já contamos um pouco por aqui, as folhas de abacaxi usadas para criar o Pinãtex são subprodutos da colheita de abacaxi, então não há nenhum gasto adicional necessário (isto é, água, fertilizantes, etc) na obtenção das folhas, que de outra forma seriam descartadas como resíduos. Apesar de ter sido lançado em 2015, foram 7 anos de pesquisa para se chegar ao material final e tentar estabelecer uma cadeia de fornecedores justa e limpa. Conforme destacado pelo The Guardian, “fazer o material também traz benefícios para as comunidades agrícolas. O processo industrial usado para criar o Piñatex produz biomassa, que pode ser convertida em um fertilizante que os fazendeiros podem espalhar em seu solo para crescer a colheita seguinte do abacaxi. O material, que tem aparência semelhante à lona, também é biodegradável”. img_6369 Em 2017 já devemos ver o Pinãtex em produtos fabricados por marcas estrangeiras. Como mostramos na nossa visita à última edição do Green Showroom e Ethical Fashion Show, já tem produto pronto para entrar no mercado produzidos com Pinãtex. Bastar ver o quanto vai demorar para ele realmente escalonar e chegar ao Brasil.  
  1. Acaba
Nativa da Filipinas, a acabá é um tipo de planta parente da bananeira e a partir de suas folhas pode ser produzida a fibra de acaba, também conhecida como cânhamo-de-manila. Tem uma tonalidade clara e bastante brilhante que, por fotos, pode ser confundido com seda. É uma fibra bastante resistente e por isso é tradicionalmente empregada nos seus países de origem para produção de cestaria, redes de pesca, cordas e produção de papel. Na moda e decoração, ainda é timidamente empregada, mas já há empresas especializadas revendendo o tecido para produção de vestuário. A tecelagem manual garante também que o cânhamo-de-manila seja praticamente livre de emissões de carbono. A Food And Agriculture Organization, da ONU, a posiciona como uma das fibras do futuro. Em solo brasileiro, em parceria com a Rato Rói, a Insecta já prototipou besouros a partir da bananeira. Ou seja, não é só do Abaca que dá pra tirar tecido.  
  1. Muskin
Fazer fibra têxtil a partir de cogumelos não é algo totalmente novo, mas foi esse ano que os ambientalistas da moda foram à loucura com o Muskin, um tipo de couro vegano feito a partir de cogumelos pela empresa italiana GradoZero Espace. Assim como o couro animal, o Muskin também precisa ser curtido e tingido, mas o processo é todo feito sem químicos nocivos, apenas com ingredientes vegetais. A empresa afirma que o Muskin não é propício à proliferação de bactérias, deixa a pele respirar, além de ser um material macio e flexível. O material já está à venda na Europa.  
  1. CUPRO
Apesar de não ser famosa, o CUPRO é uma matéria-prima relativamente antiga. Sob a marca registrada de Bemberg, a japonesa AsahiKasei produz CUPRO desde 1931. O CUPRO é produzido a partir dos filamentos que envolvem as sementes do algodão. É uma fibra artificial, pois, para ser transformada em fibra, o CUPRO precisa passar por um processo químico: os filamentos são diluídos em uma solução de amônia e óxido de cobre. O tecido é brilhoso e parece com seda, respira como algodão e é uma maneira de aproveitar totalmente o algodão – o CUPRO fica ainda mais ético quando é produzido a partir do algodão orgânico. O CUPRO pode ser considerado um parente do Tencel, uma das fibras mais ecológicas em uso hoje. Grandes designers como Donna Karan, está incorporando o CUPRO em suas coleções. É importante ressaltar, porém, que nenhuma matéria-prima, por si só, é realmente capaz de tornar a moda uma indústria sustentável. As matérias-primas ecológicas devem ser incorporadas a processos de produção limpos e sustentáveis – da concepção da fibra até o pós-consumo, ademais é preciso todo um repensar da economia, menos dependente de produtos e mais de serviços. Os tecidos são só 1 etapa do processo.

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