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5 coisas que não deveriam ser descartáveis

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5 coisas que não deveriam ser descartáveis

Não dá pra negar que os produtos descartáveis facilitaram a vida das pessoas. Coisas que não precisam ser higienizadas, nem levadas daqui pra lá, que estão sempre à mão são (aparentemente) descomplicadas. Mas aí o problema é que viramos dependentes dessas coisas e isso não é nada bom.

Desaprendemos a consumir e perdemos o senso crítico. Usamos canudinhos, sacolas e embalagens por alguns segundos e descartamos, sem saber para onde vão e sem pensar no problema que estão gerando no mundo todo. Tudo em nome da tal da praticidade.

Só no Brasil, a produção de resíduos sólidos urbanos cresceu 11%, passando de 71,2 milhões de toneladas por ano em 2010 para 79 milhões de toneladas em 2020. São 6,3 milhões de toneladas de lixo abandonadas no meio ambiente a cada ano.

Dados da Abrelpe mostram que, juntos, os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais correspondem a 48,36% de toda a geração de resíduos do país. O Brasil está produzindo cada vez mais lixo e já é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, além de estar abaixo da média global de reciclagem plástica.

Queremos isso? Acho que não, né?

Sabemos da importância dos pequenos passos e das mudanças que começam em casa. Por isso, separamos 5 coisas que são descartáveis, mas não precisam ser, e trouxemos dicas pra você começar a consumi-las de um jeito mais consciente. E logo você vai ver que são tão práticas quanto as descartáveis, além de mais baratas e sustentáveis, claro.

Hastes flexíveis (o famoso cotonete)

Tão vilão quanto o canudinho, o cotonete é um dos resíduos mais encontrados nas praias de Fortaleza junto com palitos de pirulito e pontas de cigarros. A pesquisa cearense que trouxe esse dado ainda mostrou que o lixo fica concentrado no Rio Cocó, no Riacho Maceió, na Praia do Futuro e segue para a Praia Mansa, se espalhando pelo mar.

Isso é só um exemplo, porque sabemos que esse é um grande problema em praticamente todas as praias da costa nacional. E lá fora também: é um dos resíduos mais encontrados nos oceanos, sendo o 6º item mais encontrado nas praias britânicas.

O cotonete é complicado, porque apesar de ter a haste plástica, não é reciclável. É pequeno, leve e é normalmente descartado no lixo comum (ou no vaso sanitário, a forma mais errada!). Por isso, vai parar em todo lugar, do aterro ao oceano, poluindo e sendo confundido com alimento por vários animais. 

A boa notícia é que não precisamos de cotonetes. Inclusive, médicos indicam que eles não devem ser usados na higiene diária. Você pode limpar os ouvidos com os dedos durante o banho e secar com uma toalha. Além disso, já começaram a surgir marcas de hastes flexíveis reutilizáveis, que são facilmente higienizadas e podem ter um uso muito mais prolongado, caso sejam necessárias. 

Filtro de café 

O cafezinho filtrado é uma paixão nacional, mas não precisa gerar um problema ambiental. Os filtros de papel podem até parecer inofensivos, mas esse papel branqueado industrialmente contém dioxina, substância tóxica que traz diversas complicações à saúde humana e ao meio ambiente. 

Além disso, só ser de papel não é um indicador de sustentabilidade. O papel é feito de celulose virgem, que gera impacto sim, mesmo sendo de madeira reflorestada. Todo o processo de produção usa água, energia e emite CO2 para a atmosfera. 

A empresa estadunidense de filtros de algodão CoffeeSock estimou que o acúmulo global de filtros de papel descartados seja equivalente a cerca de quase 400 mil metros cúbicos de lixo.

E, mais uma vez, há alternativas! Você pode abolir totalmente os filtros usando a prensa francesa ou a cafeteira italiana, que precisam apenas de água e café para o preparo. Ou, se preferir o coado, há diversas opções de coadores de pano ou até de metal, que podem ser lavados e reutilizados por muito tempo. 

Absorventes

Já falamos aqui no blog como o tabu da menstruação é um dos responsáveis pela geração lixo. O sangue, culturalmente e historicamente visto como sujo, se tornou algo a ser evitado, e para que não seja visto nem tocado, os absorventes descartáveis se tornaram a melhor opção. 

Só que os absorventes são compostos por celulose, polietileno, propileno, adesivos termoplásticos, papel siliconado, polímeros superabsorventes e agentes controladores de odor. São cheios de fibras artificiais e depois de usados, vão para o lixo comum, e nos aterros levam em média 400 anos para se decompor.

Uma pessoa pode chegar a usar 9.600 absorventes descartáveis durante a vida, gerando mais de 130 kg de lixo. No Brasil, são mais de 60 milhões de pessoas gerando 12 mil toneladas de lixo a cada mês!

Isso também pode ser facilmente evitado adotando opções mais ecológicas como os coletores menstruais, calcinhas absorventes ou absorventes de pano. Hoje há várias alternativas que são tão (ou mais) eficientes quanto as descartáveis, geram uma baita economia e ainda eliminam um problema ambiental. 

Guardanapos 

O papel toalha e o guardanapo de papel são usados para tudo: limpar boca e mãos durante as refeições, limpar sujeiras que caem na mesa ou chão, secar líquidos derramados… São verdadeiros quebra-galhos na cozinha, mas não são recicláveis e trazem novamente o problema do consumo desnecessário de papel. 

Como já falamos, coisas feitas em papel geram emissões, usam água, derrubam árvores, gastam energia e têm vários outros pontos negativos durante sua produção. O papel branqueado usa produtos químicos nocivos ao meio-ambiente e à saúde humana. Tudo isso pra ser usado por alguns segundos e jogado no lixo orgânico, sendo mais uma coisa na pilha de coisas em decomposição nos aterros. 

Toalhas e guardanapos de pano são as melhores opções para eliminar esses resíduos (e esses gastos!), mas muita gente fica na dúvida se não é pior gastar água para lavá-los depois do uso. Bom, vamos explicar pra você não cair mais nessa pegadinha:

Para produzir 1 kg de papel, são usados 540 litros de água. Além disso, para 1 tonelada, são usadas de 2 a 3 toneladas de madeira. A indústria do papel é uma das que mais usam os recursos hídricos e é a quinta que consome mais energia. Com certeza lavar os guardanapos da família 1x por semana não chega nem perto disso!

E já que estamos falando no gasto de água...

Água

Pois é, a água é um recurso tratado muitas vezes como “descartável”, e acabamos desperdiçando litros e litros que poderiam ser reutilizados, reduzindo o nosso impacto (e a conta no final do mês também). 

Sabemos que o agronegócio e a pecuária são responsáveis pelo maior gasto de água no Brasil, chegando a quase 83%, mas isso não quer dizer que a gente não precisa fazer a nossa parte. Adotar hábitos mais sustentáveis é um jeito de se reeducar e ter uma relação mais rica com os recursos que temos ao nosso dispor - e que para muita gente ainda são luxo. 

Um dos jeitos de reaproveitar a água é coletar no banho com um balde. Deixar sob o chuveiro enquanto esquenta ou deixar no box durante o banho mesmo é um jeito simples de ter água para usar na descarga ou para limpar áreas externas, como quintais e varandas. 

Outro jeito, que é bem possível que a sua avó conheça, é o reuso da água do cozimento de alguns alimentos. Essa água é nutritiva, pois vários legumes e verduras perdem boa parte das vitaminas e nutrientes quando são cozidos. A água pode ser usada para fazer macarrão, feijão ou (depois de fria, claro!) regar suas plantas se estiver sem sal.

Ainda há um bem conhecido reuso de água: o enxágue da máquina de lavar roupas! É só direcionar o cano de despejo da máquina para um balde. Daí você pode usar na descarga dos vasos sanitários, para lavar o quintal, a bike ou o carro, por exemplo. Quer outra ideia? Use para deixar de molho os guardanapos e toalhas de pano que você vai usando na cozinha durante a semana. Assim, quando for hora de lavar, já estarão desengordurados! ;)

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